domingo, 2 de novembro de 2014

Porque eu tenho orgulho gordo e você deveria ter também.

Eu tenho orgulho gordo. Eu gosto de ser cheia de curvas e comer batata frita, gosto de me vestir bem, tenho estilo, sou linda, limpa e cheirosa (amo cremes e perfumes, quem me conhece sabe), odeio transpirar em dias quentes e procuro sempre ter lencinhos de papel na bolsa. Meghan Trainor disse em "All About That Bass" que os garotos gostam de ter o que apertar a noite. Ela está certa, eu tenho um garoto em casa e posso atestar isso, quando minha calça cai por um segundo ele me pergunta se estou emagrecendo com uma leve expressão de pavor.



Eu acabo fugindo dos esteriótipos impostos pela sociedade, apesar de algumas vezes me pegar preocupada com alguns deles ou com o que os outros vão pensar, pois no fundo é tanta coisa sendo sovada na sua cara pelas pessoas (muitas delas próximas inclusive), mídia e o cotidiano, em anos e anos de pré-conceitos, desde a infância, que é óbvio que uma hora você irá sucumbir um pouco a isso e se perguntar até onde está certa. Eu sempre fui gorda. Eu sempre tive barriga, Já tentei me imaginar sem a mesma e me pergunto como seria ficar deitada usando o notebook, ou ainda viver sem ela.

Já pesei 105 kg e perdi 15 depois de me descobrir diabética tipo 2. Evidente que isso junto com outros fatores (tenho pedra na vesícula e meu pai e avós paternos é/eram diabéticos) resultaram nessa situação e tive de resolver um pouco disso, não posso negar que está um pouco mais fácil para comprar roupas, mas ainda assim me pergunto até onde eu quero perder porque preciso e onde é para "agradar" os outros. Cresci sendo massacrada por muita gente próxima que me mandava emagrecer.
Fiz dietas normais e malucas desde os 9 anos de idade, ouvindo coisas como "você tem um rosto lindo" (essa é a pior) ou "estou falando isso para sua saúde" (mentira, você só fica incomodado(a) com meu monte de gordura sexy estrategicamente localizada nos lugares certos para ser gostosa de apertar e morder). Já tive época de sentir uma culpa tão grande em comer qualquer coisa que nada parava no meu estômago, naturalmente, e eu só tinha 13 anos.

Hoje tenho 23, peso menos (faça as contas), continuo sendo uma mulher alta e grande, tenho sim minhas neuras, não nego, mas estou em busca de resolvê-las. Estou me saindo bem até agora, tanto que agora consigo estar aqui tendo essa conversa franca com quem passar por aqui e parar para ler esse texto. Claro que ainda faltam algumas coisas, como usar mais biquinis e deixar pedaços da barriga aparecerem um pouco mais (Alô short de cintura alta+top cropped!), mas acima de roupas, a pouco tempo que fui aprender a desfrutar de meu corpo plenamente, depois de uma longa adolescência é que fui conseguir parar e começar aos poucos a me olhar com outros olhos.

Descobri um novo mundo, quando parei de dar ouvidos aos comentários maldosos de parentes e pessoas cotidianas, parei de ter medo de entrar numa loja e perguntar se tem o meu tamanho, comecei a usar mais o que quero dentro do que consigo, descobri moda plus size (que é um movimento que a cada dia cresce mais em todo o mundo), comecei a ler mais blogs sobre o tema, prestei mais atenção em mulheres gordas, grandes, exuberantes que são famosas e estão na tv, música, filmes, series, e o principal, parei de ter medo da palavra "gorda".



Ainda não gosto que usem essa palavra como algo pejorativo ou forma de ofensa, o que infelizmente ainda é muito comum. Me sinto no planeta dos macacos quando ouço algo assim ser motivo de risada, piada ou xingamento.

Nos últimos tempos descobri de verdade o quanto sou gostosa (sim, estou me achando porque sei até onde posso ir, "my body, my rules"), e o quanto posso ser o que eu acreditar que sou. As vezes me sinto pesada, mas isso passa. Você pode e deve ser o que quiser, e tem que parar de ter medo dos outros. Isso é muito difícil, eu sei, mas seja forte!

Não deixe que ninguém meta o dedo sujo na sua cara e diga o que você é ou deixa de ser, se é bonita ou feia, quem faz seu mundo é você mesma e a todos que realmente lhe querem bem e demonstram isso de alguma forma sincera e decente. Ame quem te amaria com 35 ou 200 kg. Só se obrigue a mudar algo em seu corpo se isso depender de uma saúde melhor e uma qualidade de vida. É totalmente possível ser gorda e levar uma alimentação saudável sem deixar de comer o que gosta e que nem sempre é tão saudável assim, convenhamos.

Não se sinta envergonhada em pedir Coca zero com pizza, pelo menos está tentando compensar as calorias de uma coisa consumindo menos do que outra, talvez você só prefira o gosto, talvez você seja diabética mas se permite uns carboidratos dentro da sua dieta, ou simplesmente porque você quer assim e ninguém tem nada com isso.

Por fim e não menos importante, não se culpe por pensamentos ruins em dias cinzentos, deixe-os ir da mesma forma que apareceram, de repente. Se esforce para fazer outras coisas, saia por ai e passeie, leia um livro divertido, não faça pesquisas idiotas no Google e não leia essas revistas malditas com chamadas escrotas sobre emagrecimento que só servem pra te deixar mais deprimida (aquelas fotos são 80% mentira, tudo Photoshop, confie em mim, sou designer e sei te dizer várias formas de alcançar tais resultados). Se esforce para não ter ciume/ficar incomodada com as revistas de "mulher pelada" do seu namorado/marido, eles vêem isso sabe Deus porque mas se estão com você não é atoa (repita esse mantra cada vez que cruzar com uma, quantas vezes precisar, até ficar tranquila. Ou abra aquilo e veja mais photoshop, mas não leve a serio, por favor. Ria. Muito.), ligue pra uma amiga e fofoque muito, faça algo que te dê prazer, ou se quiser e isso não for te fazer mal, coma algo gostoso de verdade, tipo um Sunday. É sorvete, não tem como te deixar triste.

Seja você mesma, na sua melhor versão, fazendo o bem, sendo sincera e o mais importante, sendo o mais feliz que puder com seu maior patrimônio que a natureza (e pra quem quiser acreditar, Deus) te deu: Seu lindo corpo.

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